Quando a conversa acaba e a técnica encontra a força, o trabalho real acontece.

 

Existe uma diferença fundamental entre gerenciar uma empresa e executar a ação central do nosso negócio: o ato de desentupir. No DF, com sua diversidade de construções, desde as mais antigas do Plano Piloto até as mais novas em Águas Claras, essa ação exige uma combinação de força bruta e inteligência técnica que pouca gente imagina.

Desentupir é um verbo de ação. É o momento em que as mãos, protegidas por luvas grossas, sentem a vibração da máquina, o cabo de aço girando e avançando com dificuldade por uma tubulação escura e desconhecida. É um trabalho físico, visceral. Lembro-me de um serviço em um galpão no SIA (Setor de Indústria e Abastecimento) que personifica esse esforço. A rede de esgoto principal estava completamente obstruída. Não por gordura ou dejetos comuns, mas por restos de concreto que uma obra vizinha havia descartado indevidamente na rede.

O cheiro no local era uma mistura seca de poeira e cimento com o odor úmido e azedo do esgoto estagnado. O primeiro desafio foi encontrar um ponto de acesso viável. Depois, começou a batalha. Nossa máquina rotativa de alta potência, que normalmente resolve a maioria dos casos, mal arranhava a superfície. O som era frustrante: um “clank” metálico e agudo, indicando que a ponteira estava batendo em algo sólido, sem conseguir penetrar.

Foi um daqueles trabalhos que testam o seu limite físico e mental. Tivemos que alternar eu, o Carlos e o Júnior na operação da máquina, pois a vibração e a força necessárias para mantê-la firme eram exaustivas. O suor escorria, misturando-se à poeira. A cada tentativa, trocávamos a ponteira, buscando uma que pudesse quebrar, moer ou perfurar o concreto. Usamos ponteiras com ponta de lança, depois serrilhadas, até chegarmos a uma com correntes, projetada para situações extremas.

A sensação de finalmente romper a primeira camada da obstrução é indescritível. É um “tranco” que a máquina dá, um som que muda de agudo para grave, indicando que a ferramenta encontrou um caminho. A partir daí, o trabalho de desentupir se tornou uma questão de paciência e persistência, removendo a obstrução pedaço por pedaço. Foram quase seis horas de trabalho ininterrupto para liberar um trecho de vinte metros.

Quando a água finalmente fluiu, levando os últimos detritos, ficamos os três em silêncio por um instante, apenas ouvindo o som glorioso do escoamento. Estávamos imundos, exaustos, mas com um sentimento de vitória que só quem faz o trabalho pesado conhece.

Essa é a realidade por trás do serviço de desentupir no DF. Não é um trabalho de apertar botões. É preciso conhecer o equipamento, entender os limites da tubulação e ter a garra para não desistir diante de um obstáculo que parece intransponível. É a experiência que te diz quando forçar e quando recuar para não danificar o encanamento.

Hoje, mesmo gerenciando a equipe, faço questão de ir a campo nos casos mais difíceis. É algo que está no meu sangue. É a essência do negócio que construí. Porque, no final das contas, uma empresa como a nossa é medida pela sua capacidade de executar a tarefa mais fundamental de todas: a de desentupir. E se você precisa dessa ação, direta e eficiente, pode ter certeza de que temos a força, a técnica e a teimosia necessárias para fazer o trabalho.