Desentupimento na Asa Norte: O que 15 anos de serviço me ensinaram
Trabalho com desentupimento aqui na Asa Norte desde 2009. Já vi de tudo. Desde apartamentos nas superquadras mais antigas até comércios na W3 que parecem ter tubulação da época da construção de Brasília. E vou te dizer uma coisa: o problema nunca é só o entupimento.
É a idade. É o jeito que as coisas foram feitas lá atrás. É a falta de manutenção que a gente só lembra quando a água sobe pelo ralo.
Na minha rotina diária, atendo pelo menos três chamados de emergência por refluxo de esgoto. E em 80% dos casos, o dono do imóvel tentou resolver com aqueles produtos químicos que prometem milagres. Spoiler: não funcionam. Pioram.
O erro que todo mundo comete (e que custa caro)
Ácido. Desentupidor químico. Soda cáustica. O pessoal acha que é solução. Na verdade, é um convite para o desastre.
Já perdi a conta de quantas tubulações de PVC eu vi rachadas por dentro por causa desses produtos. O pior é quando a pessoa usa em manilha de barro – aí o negócio desmancha feito açúcar molhado. Uma vez, num prédio da 308 Norte, o morador do térreo usou tanto produto que corroeu a junção principal. Resultado: vazamento no subsolo que contaminou o lençol freático. Multa da CAESB que passou dos 15 mil.
Isso é fato.
Quando você vê a água demorando para descer, não pense em química. Pense em chamar quem entende do assunto. A pressa é inimiga da tubulação.
Vídeo inspeção: meu olho dentro do cano
Investi numa câmera robótica em 2015. Melhor decisão da minha carreira. Antes, era adivinhação. Agora, é certeza.
A câmera entra pelo ralo e mostra tudo. TUDO. Raiz de árvore invadindo por uma fissura de 2mm. Gordura solidificada que parece concreto. Até brinquedo de criança que caiu no vaso há meses.
O que isso muda? Tudo.
Primeiro, não preciso quebrar parede à toa. Já cheguei num apartamento onde o síndico queria arrancar o piso do banheiro inteiro. Coloquei a câmera, achei o problema a 3 metros da caixa de inspeção. Resolvi em duas horas, sem obra.
Segundo, o cliente vê. Literalmente. Mostro no tablet onde está o bloqueio, o que causou, como vou resolver. Transparência total.
Terceiro – e isso é ouro – consigo identificar problemas antes deles virarem emergência. Fissurazinha aqui, desnível ali. Coisas que, em seis meses, seriam um transbordamento no meio da madrugada.
Hidrojateamento: quando pressão é solução
Para restaurantes do SCLN, essa técnica é salvação. Gordura de cozinha industrial não sai com nada menos que água a 200 bar de pressão.
Funciona assim: a mangueira especial entra no cano e jatos de água em alta velocidade raspam as paredes. Limpa até o diâmetro original. É como dar um banho de mangueira de bombeiro na tubulação por dentro.
O que muita gente não sabe: tem pressão certa para cada material. PVC aguenta menos que ferro fundido. Se você coloca um operador inexperiente, ele estoura o cano. Já vi acontecer.
No meu time, todo mundo tem treinamento específico. Sabemos ler a tubulação antes de ligar a máquina. É experiência que se ganha no campo, não em manual.
Manutenção preventiva: o segredo que ninguém quer ouvir
Vou ser honesto: 90% dos meus clientes só me ligam no desespero. Água subindo, cheiro insuportável, risco de multa.
Mas os 10% que fazem manutenção regular? Esses são os espertos.
Tenho condomínios na Asa Norte que agendam limpeza a cada seis meses. Custa um terço do que custaria uma emergência. E evita o estresse.
O clima de Brasília não ajuda. Seca extrema, depois chuva torrencial. As tubulações expandem e contraem. As juntas afrouxam. Raízes de árvores – e tem muita árvore velha aqui – procuram água e entram por qualquer fresta.
Manutenção não é gasto. É investimento. Um colecionador da 107 Norte me mostrou as contas: em cinco anos de manutenção programada, economizou R$ 8.400 em consertos emergenciais. Sem contar o valor das peças de arte que seriam danificadas por um vazamento.
Como não ser enganado na hora de contratar
O mercado de desentupimento tem muito picareta. Gente que aparece com uma mangueira velha e cobra barato, mas deixa o problema pela metade.
Minhas regras para escolher bem:
- Peça para ver a licença da CAESB. Se a empresa não tem, corre. O descarte irregular de resíduos pode gerar multa para VOCÊ, não para eles.
- Exija certificado de garantia por escrito. Verbal não vale nada.
- Verifique se os funcionários têm treinamento em NR-33 (espaço confinado). Esgoto é considerado espaço confinado. Trabalhar lá sem segurança é crime.
- Desconfie de orçamentos muito abaixo da média. O barato sai caro quando a tubulação principal da rua é danificada.
Uma dica pessoal: pergunte quantos anos de experiência a empresa tem na Asa Norte especificamente. Quem conhece a região sabe onde estão os pontos críticos. As superquadras mais antigas têm problemas diferentes das mais novas. O SCLN tem desafios que o SCLS não tem.
O que fazer quando o problema aparece
Primeiro: não entre em pânico. Desligue a água da descarga e dos ralos problemáticos.
Segundo: NÃO use produtos químicos. Já expliquei porquê.
Terceiro: chame um profissional com equipamento adequado. Se for final de semana ou feriado, prepare-se para pagar mais – é a realidade do serviço de emergência.
Quarto: quando o técnico chegar, acompanhe o trabalho. Pergunte. Peça para ver a câmera se tiver. Um profissional sério não tem medo de mostrar o que está fazendo.
E por último: depois de resolver, pergunte sobre manutenção preventiva. Um bom profissional vai te orientar sobre a periodicidade ideal para seu tipo de imóvel.
Minha visão depois de tanto tempo nisso
A Asa Norte está envelhecendo. As tubulações também. O que era moderno nos anos 60 hoje precisa de cuidado especial.
O maior erro que vejo é as pessoas tratarem o sistema de esgoto como algo “que funciona até parar”. Não é assim. É como um carro: precisa de revisão, de troca de peças, de atenção.
Investir em tecnologia – câmera, hidrojateamento moderno, equipamentos de precisão – não é luxo. É necessidade. O custo de não investir é sempre maior.
Lembro de um caso num prédio histórico da 308 Sul (sim, atendo Sul também quando necessário). O síndico insistia em fazer “gambiarra” toda vez que entupia. Quando finalmente chamou uma equipe qualificada, descobrimos que a tubulação principal estava com 60% do diâmetro comprometido por raízes. O conserto custou o triplo do que teria custado se tivesse sido feito preventivamente.
Moral da história: na tubulação, como na vida, prevenir é melhor – e mais barato – que remediar.
Ficou com dúvida? Escreve nos comentários que respondo assim que possível. Só peço que seja respeitoso – trabalho sério merece conversa séria.
Para entender as normas técnicas e regulamentações oficiais, consulte sempre fontes oficiais como o site da CAESB para saneamento no DF e o portal do CREA-DF para encontrar profissionais regularizados. A prefeitura de Brasília também tem informações sobre licenciamento e normas urbanas.
